Durante esses anos como profissional de adestramento, na minha opinião, o tema passeio não é corretamente abordado. Notei diferentes formas que as pessoas passeiam seus cães, e a imagem mais comum que vejo é a do cão andando do lado a todo momento. Pensando nisso, para maior esclarecimento de todos e, principalmente, para a felicidade geral canina, cheguei em uma firme opinião e conclusão sobre duas distintas formas de “passeio” que acabei classificando em terminologias que parecem corretas para determinar que tipo de “passeio” é empregado no manejo com os cães.
A 1a, que a maioria das pessoas trabalham na maior parte do tempo, é o PASSEIO PRESO, que consiste do cão caminhar estando sempre no junto, colado com o dono e privado de fazer as coisas que gosta. Nesse estágio dos meus aprendizados e estudos entendo que o cão não mais passeia, mas, sim, caminha somente. Não me parece a melhor forma. É uma privação desnecessária para o cão. Não recomendo.
A 2a forma é menos praticada, e a que chamo de PASSEIO LIVRE. Consiste no cão caminhar mais livre e a vontade (quase sempre cheirando tudo que encontra), na posição que quiser, na frente, atrás, do lado, enfim, LIVRE, SÓ ACOMPANHANDO O CONDUTOR. Este acompanhamento pode ser na guia (sem arrastar), ou solto (em lugares calmos como praças por exemplo). Esta é a forma que indico e considero um dos diferenciais do meu adestramento.
Na maior parte do tempo trabalho com os cães no Passeio Livre, o Passeio Preso só uso nas horas de necessidades, como atravessar a ruas movimentadas, uma pessoa com medo que aparece no caminho, outro animal, enfim, passeio preso, para mim, só nas horas de atenção e, nos outros momentos e de preferência, faço o passeio livre. Tenho convicção que é melhor para a saúde física e mental do cão e para a satisfação dos clientes que me contratam. Este texto é para sugerir a reflexão sobre este tema em questão. Que termino com uma citação:
“Que importância a sociedade tem dado para o olfato dos cães?
Sendo o olfato, odores, algo de pouco acesso aos humanos e como todo procedimento perante ao cão é sempre com analogia às próprias experiências (inclusive as experiências científicas), o olfato é cem por cento ignorado e caindo no atrofiamento pelo “uso e desuso”.” João Pereira (Siborg)
Como você passeia seu cão? Reflita sobre isso.
